sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Discurso de posse da ministra da Cultura, Marta Suplicy.


Brasília, 13 de setembro de 2012

Muito me honra o convite para ocupar o cargo de ministra da Cultura.

É a possibilidade de participar mais de perto de um governo que tenho orgulho de ter ajudado a eleger e de ter defendido no Senado Federal.

Existe também a realização de trabalhar numa área que aprecio e sei de sua relevância. Mas, mais que tudo, é trabalhar sob o comando de uma mulher forte, arretada e competente. A quem admiro e com quem dialogo muito bem.

O Ministério da Cultura, concebido pelo Presidente Sarney – a quem homenageio pela sua visão de estadista, não só por criar o Ministério mas por ter sido o pensador da primeira lei de incentivo à cultura, a Lei Sarney. E ter nomeado o grande Celso Furtado como Ministro que foi o propulsor desta primeira Lei tão importante para o setor. Quero agradecer-lhe Presidente Sarney por compartilhar sua experiência apoio e amizade nestes quase dois anos de convivência.

A partir do governo Lula, tanta coisa mudou. O Ministério da Cultura mudou paradigmas, se organizou com uma nova estrutura e visão nacional. Passou a ter uma visão da complexidade que é a nossa herança cultural e a importância da participação da sociedade na política cultural brasileira.

Reconheço o valoroso trabalho dos ministros Gilberto Gil, Juca Ferreira e Ana de Hollanda, a quem agradeço pela gentil e pronta cooperação nesta transição.

O Brasil tem a cultura como identidade. E é esta riqueza na música, dança, cinema, teatro, literatura, artes plásticas, gastronomia e nas mais diferentes expressões da nossa arte, fruto desta miscigenação tupiniquim, que vamos “cirandar” e aprofundar para deixar uma marca cultural no governo da Presidenta Dilma. Sabemos o quanto usufruir e criar cultura pode alterar a qualidade da existência de cada pessoa.

Quero agradecer aos meus colegas senadores pela aprovação ontem da PEC do Sistema Nacional de Cultura. Muito ajudará na sinergia da política cultural nas três esferas federativas.

Peço à Câmara o mesmo empenho para a aprovação do Vale Cultura, que acredito fará uma revolução na vida do povo brasileiro, assim como incentivará a produção cultural.

Nós temos História, monumentos e museus a serem preservados. Temos diversidade e frescor de ideias temos o ingrediente principal, o motor da cultura, que é a criatividade de nosso povo. Tudo isso deverá se interligar, conversar, experimentar, questionar, romper o estabelecido para poder nascer o novo. A capacidade de ousar e inovar. O passado nos interessa na medida em que alimenta o futuro. E quanto mais identificada com sua raiz cultural mais universal será a obra.

O Ministério não faz cultura. Ele proporciona espaços, oportunidades e autonomia para que ela se produza. Não podemos aceitar a lógica devastadora do mercado, a pasteurização de atividades e obras pautadas pela globalização. Ao mesmo tempo nossos artistas têm que poder viver de sua arte e o intercâmbio internacional é rico e fundamental para a criação. Devemos incentivar nossa participação internacional. E este será um outro desafio.

A dificuldade de acesso aos bens culturais, a imensidão do país com músicas e enredos tão diversos, o contínuo diálogo com todo o segmentos da cultura e da sociedade assim como com o parlamento estarão sempre presentes nesta gestão.

Neste século de intensa comunicação e acesso à informação, a excelência na utilização dos recursos da internet será prioridade para o Ministério. Hoje podemos consumir muito mais cultura em casa: assistir teatro e filmes, ouvir música e passear por museus e galerias. Isso é ótimo. Pode gerar sinergia entre pessoas e obras que nunca teriam como se encontrarem e ao mesmo tempo não inibe o interesse pela apreciação “ao vivo”.

Ainda conhecemos pouco da influência da comunicação eletrônica na criatividade. Sabemos de sua capacidade de levar conhecimento, de mostrar o anônimo, de descobrir talentos e de conectar saberes. Como cultura é algo em permanente transformação, a internet também presta um serviço quando brinca e questiona o que está cristalizado. A criatividade se alimenta da ruptura com o estabelecido.

Quando prefeita de São Paulo, pude atestar o quanto iniciativas culturais são capazes de alterar a qualidade de vida da população: seja pelo programa que fizemos de fomento de público nos teatros, pela ampla programação cultural e espaços para a juventude, criação de orquestras na periferia e dos 21 teatros de primeiro mundo erguidos nos CEUs.

Lembro-me quando inauguramos o primeiro CEU, com a presença do Presidente Lula e soubemos que 100% das pessoas que o frequentavam nunca tinham entrado num teatro assim como 87% não conheciam um cinema, muito menos uma biblioteca.

Abrir as janelas do conhecimento, criar oportunidades de desenvolvimento e comunicação, de prazer que só vem da comunhão com a arte, foi uma emoção além de qualquer coisa que pensei poder fazer de útil na vida. Por isso, presidenta, tenho que lhe agradecer, de coração, esta oportunidade de poder dar o melhor de mim na construção de um novo tempo para a cultura brasileira. O desafio de unir a todos em torno de uma política cultural para o Brasil a altura de seu governo e de seu apreço às artes.

(Fonte: MinC)
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