sexta-feira, 12 de abril de 2013

Curso para educadores de museus será ministrado em seis cidades de São Paulo.

 
Ilustração - Veridiana Scarpelli
Ilustração - Veridiana Scarpelli

Luciana Conrado Martins, doutora em educação pela Universidade de São Paulo, observa que, atualmente, não existe, no Brasil, cursos específicos para a formação de educadores de museus ou centros culturais. “Sendo os educadores parte importante da democratização do acesso aos museus e ao patrimônio por eles preservado, é fundamental que eles sejam excelentes profissionais, plenamente competentes nas suas funções e com amplo conhecimento não só dos conteúdos do museu como dos conceitos educacionais que guiarão sua prática pedagógica”, afirmou.

O problema, segundo a educadora, parte da falta de regulamentação sobre a formação para o trabalho em ambientes educacionais não formais, como é o caso dos museus, centros culturais, organizações não governamentais e demais espaços que desenvolvam práticas educacionais fora do ambiente escolar. “Muitos profissionais são leigos ou se formaram na prática. Eles têm, muitas vezes, contratos precários de trabalho, atuando como estagiários ou em outros formatos provisórios de contratação. Outro aspecto importante é que muitas instituições museais, principalmente as menores ou mais precárias, não têm condições de formar adequadamente seus educadores e muito menos de oferecer uma formação continuada”, avaliou Martins.
A especialista é também diretora da Percebe, empresa de consultoria em educação, que promove, entre maio e setembro deste ano, o curso Que público é esse? Formação de público de museus e centros culturais. Voltado para educadores de museus e centros culturais, o curso, gratuito, será realizado com o apoio do Instituto Votorantim por meio do Programa de Ação Cultural da Secretaria do Estado da Cultura – ProAC.

“Acredito que os serviços educativos são os responsáveis pela democratização do acesso aos conteúdos e coleções expostos nos museus. São eles que vão criar estratégias para que os diferentes tipos de público possam se familiarizar com o funcionamento e a forma de comunicação característicos dos museus. Os educadores, de certa forma, são aqueles que vão ‘traduzir’ a exposição para o público”, disse Martins.
Conhecer o público e entender o que ele procura, quais suas expectativas ao visitar a instituição e quais suas necessidades, são, para a educadora, os primeiros passos ao se pensar em uma ação educativa. Também é necessário, prossegue a especialista, planejar objetivos educacionais, levando em consideração o espaço, o acervo e as exposições da instituição e, a partir daí, pensar estratégias educacionais para se alcançar esses objetivos, tendo em vista recursos orçamentários, físicos e humanos. Testar as atividades, se possível, antes de implementá-las e promover a avaliação sistemática das ações educacionais também foram apontadas por Martins como práticas importantes.

“No nosso país, é essencial que as ações educativas levem em consideração que a maior parte da população não tem intimidade com a linguagem e a forma de organização dos espaços museais e, mais do que isso, simplesmente não têm acesso físico a esses locais”, destacou Martins. De fato, segundo dados apontados pelo Ministério da Cultura – MinC, 92% dos brasileiros nunca frequentaram museus e 93% nunca foram a exposições de arte.

Atualmente, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram de 2010, apenas 20% dos municípios brasileiros contam com unidades museais. “Frente a essa situação, políticas públicas de acesso têm que prever, por exemplo, o transporte e a gratuidade para pessoas de baixa renda poderem visitar os museus. Outro aspecto primordial é prever visitas escolares, principalmente de instituições públicas, aos museus de forma sistemática durante todo o processo de escolarização. As pesquisas mostram que o acesso a museus, quando acontece, acontece via escola, pois as famílias não têm esse hábito”, disse.

Que público é esse?

O curso Que público é esse? Formação de público de museus e centros culturais pretende dialogar sobre os processos de educação e comunicação que ocorrem nos espaços dos museus e centros culturais. Além da capital, o curso será ministrado, entre maio e setembro, em outras cinco cidades paulistas: Santos, Taubaté, São Carlos, Brodowski e Tupã.

Na cidade de São Paulo, as aulas acontecerão entre os dias 7 e 10 de maio, na Estação Pinacoteca, e as inscrições poderão ser feitas a partir do dia 15 de abril. Para se inscrever, os interessados devem enviar, até o dia 23 de abril, nome completo, telefone e uma carta de intenções de até 500 caracteres para inscricoes@percebeeduca.com.br. A lista de participantes selecionados será divulgada no dia 29 de abril no site da Percebe e os interessados deverão confirmar sua participação por e-mail.

Nas demais cidades, o curso acontecerá entre junho e setembro: de 10 a 14 de junho, em Santos; de 1 a 5 de julho, em Brodowski; de 29 de julho a 2 de agosto, em São Carlos; de 19 a 23 de agosto, em Taubaté; e de 16 a 20 de setembro, em Tupã.

(Fonte: Bernardo Vianna / Blog Acesso)
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