segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Panorama Setorial da Cultura Brasileira.


Foi um ano de grande trabalho, dedicação e prazer para chegarmos até aqui. Há muito nos questionamos sobre a ausência de informações no ambiente da cultura e, neste trabalho, conjugamos a nossa vivência em produção cultural e a produção de conhecimento sobre o setor.


O redimensionamento de tempo e espaço, provocado pela evolução tecno­lógica e pela fluidificação da informação, impactou diretamente nos contextos so­ciais, econômicos e culturais. Os relacionamentos e as trocas de informação ga­nharam destaque na sociedade informacional. A cultura, mais do que nunca, é um forte sistema simbólico a permear as interações na sociedade global. Porém, neste contexto, ganha status político e econômico, situando-se como recurso de desenvolvimento socioeconômico. Este contexto, também, reforçou nossa percepção. De fato, o setor cultural carece de informações e de materiais de referência para o planejamento de suas atividades. Esta compreensão nos lançou ao desafio de realizarmos o Panorama Setorial da Cultura Brasileira.


Contribuir com a produção de informações de um setor de atividades que nos formou, nos acolheu e nos fez perceber a necessidade de continuarmos, estudarmos, pesquisarmos mais e, principalmente, partilharmos esses conhecimentos foi o espírito empreendido nesta missão. Se por um lado, a intimidade com o setor nos provocou para este projeto, por outro, nos dificultou por exigir um distanciamento para a observação que só foi possível com a adoção de rigorosas metodologias e contextos bem delineados.


Começamos, assim, com "O Brasil e a Cultura", um resgate histórico da cons­trução política que nos fez chegar até o momento e, na sequência, um "Mapa conceitual" com a apresentação das perspectivas que nos nortearam nesta pesquisa. Em "Como foi feito o Panorama Setorial da Cultura Brasileira", estabelecemos a gradua­ção de todo o trabalho, seus componentes e suas intenções. É nesse capítulo que as abordagens da pesquisa e deste material são apresentadas para que a leitura dos resultados da pesquisa, apresentados após esse capítulo, possa fluir da melhor maneira. Todo o material está entrecortado por experiências e iniciativas culturais, narradas jornalisticamente, que nos servem como inspiração para seguirmos.


Assim como esta pesquisa nos deu a oportunidade de aprendermos e de, mais uma vez, compartilharmos experiências de profissionais admiráveis; produtores, gestores e decisores da cultura; esperamos que estas informações possam contribuir com o aprendizado e com o desenvolvimento dos atuantes da cultura no Brasil.

(por Gisele Jordão e Renata R. Allucci)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Contadores de Maringá debatem o incentivo à cultura.

O SESCAP-PR participou do 1º Fórum Nacional de Produção Cultural em Pequenos e Médicos Municípios (FPCM), ocorrido em Maringá-PR entre os dias 7 e 11 de agosto, que discutiu entre outros temas, o modelo de renúncia fiscal via Lei Rouanet.


Um exemplo a ser seguido por outras cidades do Paraná e do país.


Promover encontros da classe contabilista para discussão das leis de incentivo à cultura nas esferas: federal, estadual e municipal é o caminho para melhoria do cenário cultural em todo o país. Somente através da informação, mudança de postura e comportamento será possível atingir resultados melhores.


Assista o vídeo onde o presidente do Siscontábil Maringá-PR Orlando Chiqueto Rodrigues e o secretário de fomento à cultura do MinC Henilton Menezes falam sobre a importância desses encontros.




(por Meg Mamede)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sugestões de leitura para entender a Cultura e o Mercado.



BRANT, Leonardo. Mercado cultural: panorama crítico e guia prático para gestão e captação de recursos. 4a ed. São Paulo, Escrituras Editora/Instituto Pensarte, 2004.

CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 1995.

CESNIK, Fábio Sá. Guia do incentivo à cultura. São Paulo, Editora Manole, 3a. Edição, 2012.

CHAUÍ, Marilena. Cidadania cultural: o direito à cultura. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

COELHO, Teixeira. Dicionário crítico de política cultural. São Paulo, Editora Iluminuras, 1997.

FISCHER, Micky. Marketing cultural. São Paulo, Global Editora, 2002.

FREITAS DA COSTA, Ivan. Marketing cultural: o patrocínio de atividades culturais como ferramenta de construção de marca. São Paulo, Editora Atlas, 2004.

INSTITUTO CULTURAL CIDADE VIDA. Perfil de empresas patrocinadoras: 50 dicas de marketing cultural. Rio de Janeiro, Record, 2003.

MACHADO NETO, Manoel Marcondes. Marketing cultural: das práticas à teoria. Rio de Janeiro, Editora Ciência Moderna, 2002.

MALAGOLDI, Maria Eugênia e CESNIK, Fábio de Sá. Projetos culturais: elaboração, administração, aspectos legais, busca de patrocínio. 3a ed. São Paulo, Escrituras, 2000.

MATHEWS, Gordon. Cultura global e identidade individual. Bauru, SP. EDUSC, 2002.

MENDES DE ALMEIDA, Candido José . Marketing cultural : cinco casos de sucesso. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1996.

MENDES DE ALMEIDA, Candido José e DA-RIN, Silvio. Marketing cultural ao vivo - depoimentos. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1992.

MORAES, Dênis de. (org). Por uma outra comunicação: mídia, mundialização cultural e poder. Rio de Janeiro, Record, 2003.

MORAES, Dênis de (org). Globalização, mídia e cultura contemporânea. Campo Grande, Letra Livre, 1997.

MUYLAERT, Roberto. Marketing cultural & Comunicação dirigida. São Paulo, Editora Globo, 1993.

NATALE, Edson e OLIVIERI, Cristiane. Guia brasileiro de produção cultural 2004. São Paulo, Editora Zé do Livro, 2003.

REIS, Ana Carla Fonseca. Economia da cultura e desenvolvimento sustentável:o caleidoscópio da cultura. São Paulo, Editora Manole, 2007.

REIS, Ana Carla Fonseca. Marketing cultural e financiamento da cultura. São Paulo, Pioneira Thompson Learning, 2003.

THIRY-CHERQUES, Hermano R. Projetos Culturais: técnicas de modelagem. Rio de Janeiro, FGV, 2008.

***

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Discurso de posse da ministra da Cultura, Marta Suplicy.


Brasília, 13 de setembro de 2012

Muito me honra o convite para ocupar o cargo de ministra da Cultura.

É a possibilidade de participar mais de perto de um governo que tenho orgulho de ter ajudado a eleger e de ter defendido no Senado Federal.

Existe também a realização de trabalhar numa área que aprecio e sei de sua relevância. Mas, mais que tudo, é trabalhar sob o comando de uma mulher forte, arretada e competente. A quem admiro e com quem dialogo muito bem.

O Ministério da Cultura, concebido pelo Presidente Sarney – a quem homenageio pela sua visão de estadista, não só por criar o Ministério mas por ter sido o pensador da primeira lei de incentivo à cultura, a Lei Sarney. E ter nomeado o grande Celso Furtado como Ministro que foi o propulsor desta primeira Lei tão importante para o setor. Quero agradecer-lhe Presidente Sarney por compartilhar sua experiência apoio e amizade nestes quase dois anos de convivência.

A partir do governo Lula, tanta coisa mudou. O Ministério da Cultura mudou paradigmas, se organizou com uma nova estrutura e visão nacional. Passou a ter uma visão da complexidade que é a nossa herança cultural e a importância da participação da sociedade na política cultural brasileira.

Reconheço o valoroso trabalho dos ministros Gilberto Gil, Juca Ferreira e Ana de Hollanda, a quem agradeço pela gentil e pronta cooperação nesta transição.

O Brasil tem a cultura como identidade. E é esta riqueza na música, dança, cinema, teatro, literatura, artes plásticas, gastronomia e nas mais diferentes expressões da nossa arte, fruto desta miscigenação tupiniquim, que vamos “cirandar” e aprofundar para deixar uma marca cultural no governo da Presidenta Dilma. Sabemos o quanto usufruir e criar cultura pode alterar a qualidade da existência de cada pessoa.

Quero agradecer aos meus colegas senadores pela aprovação ontem da PEC do Sistema Nacional de Cultura. Muito ajudará na sinergia da política cultural nas três esferas federativas.

Peço à Câmara o mesmo empenho para a aprovação do Vale Cultura, que acredito fará uma revolução na vida do povo brasileiro, assim como incentivará a produção cultural.

Nós temos História, monumentos e museus a serem preservados. Temos diversidade e frescor de ideias temos o ingrediente principal, o motor da cultura, que é a criatividade de nosso povo. Tudo isso deverá se interligar, conversar, experimentar, questionar, romper o estabelecido para poder nascer o novo. A capacidade de ousar e inovar. O passado nos interessa na medida em que alimenta o futuro. E quanto mais identificada com sua raiz cultural mais universal será a obra.

O Ministério não faz cultura. Ele proporciona espaços, oportunidades e autonomia para que ela se produza. Não podemos aceitar a lógica devastadora do mercado, a pasteurização de atividades e obras pautadas pela globalização. Ao mesmo tempo nossos artistas têm que poder viver de sua arte e o intercâmbio internacional é rico e fundamental para a criação. Devemos incentivar nossa participação internacional. E este será um outro desafio.

A dificuldade de acesso aos bens culturais, a imensidão do país com músicas e enredos tão diversos, o contínuo diálogo com todo o segmentos da cultura e da sociedade assim como com o parlamento estarão sempre presentes nesta gestão.

Neste século de intensa comunicação e acesso à informação, a excelência na utilização dos recursos da internet será prioridade para o Ministério. Hoje podemos consumir muito mais cultura em casa: assistir teatro e filmes, ouvir música e passear por museus e galerias. Isso é ótimo. Pode gerar sinergia entre pessoas e obras que nunca teriam como se encontrarem e ao mesmo tempo não inibe o interesse pela apreciação “ao vivo”.

Ainda conhecemos pouco da influência da comunicação eletrônica na criatividade. Sabemos de sua capacidade de levar conhecimento, de mostrar o anônimo, de descobrir talentos e de conectar saberes. Como cultura é algo em permanente transformação, a internet também presta um serviço quando brinca e questiona o que está cristalizado. A criatividade se alimenta da ruptura com o estabelecido.

Quando prefeita de São Paulo, pude atestar o quanto iniciativas culturais são capazes de alterar a qualidade de vida da população: seja pelo programa que fizemos de fomento de público nos teatros, pela ampla programação cultural e espaços para a juventude, criação de orquestras na periferia e dos 21 teatros de primeiro mundo erguidos nos CEUs.

Lembro-me quando inauguramos o primeiro CEU, com a presença do Presidente Lula e soubemos que 100% das pessoas que o frequentavam nunca tinham entrado num teatro assim como 87% não conheciam um cinema, muito menos uma biblioteca.

Abrir as janelas do conhecimento, criar oportunidades de desenvolvimento e comunicação, de prazer que só vem da comunhão com a arte, foi uma emoção além de qualquer coisa que pensei poder fazer de útil na vida. Por isso, presidenta, tenho que lhe agradecer, de coração, esta oportunidade de poder dar o melhor de mim na construção de um novo tempo para a cultura brasileira. O desafio de unir a todos em torno de uma política cultural para o Brasil a altura de seu governo e de seu apreço às artes.

(Fonte: MinC)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

II Encontro Funarte de Políticas para as Artes.

A Funarte apresenta a segunda edição do Encontro Funarte de Políticas para as Artes, que se realiza entre os dias 12 a 14 de novembro de 2012.

Com o objetivo de aprofundar o debate sobre as políticas públicas na área da cultura e, ao mesmo tempo, compartilhar experiências nos diversos segmentos artísticos, o II Encontro Funarte tem como tema as “Interações Estéticas em Rede”.

Como na primeira edição, o evento abre espaço também para a divulgação de trabalhos teóricos e práticos, divididos em três eixos temáticos: criação e experimentação; acesso, difusão e mediação; e memória e preservação.

As inscrições para apresentação de trabalhos estarão abertas a partir de 3 de setembro. Poderão participar estudantes em nível de graduação, pós-graduação (mestrado e doutorado), pesquisadores (mestres e doutores), gestores de políticas públicas e professores, agentes ou produtores culturais. O prazo para envio de trabalhos é 3 de outubro.

Para participar como ouvinte também é preciso se inscrever, entre os dias 3 e 26 de outubro. O encontro é aberto a todos que tenham interesse no assunto. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas. Aqueles que tiverem pelo menos 75% de frequência no evento vão receber certificado de participação.



(Fonte: Funarte)

Universalização dos serviços culturais ainda é um desafio para o Brasil.



Apenas 14% dos brasileiros vão ao cinema pelo menos uma vez por mês; 92% da população nunca frequentou museus; 93% nunca foram a exposições de arte, enquanto 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança; 92% dos municípios brasileiros não têm cinema, teatro ou museu. Esses dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e deixam claro o tamanho do desafio que o Brasil precisa enfrentar para, de fato, universalizar os serviços culturais, dar acesso e favorecer a produção fora dos grandes eixos econômicos.

A história brasileira sempre foi marcada pelo que podemos chamar de “concentração”. O dinheiro público sempre cai nas mãos das oligarquias e dos grandes conglomerados empresariais, sobretudo da indústria, do setor financeiro e da mídia. No setor cultural, essa concentração salta aos olhos ao analisarmos a Lei de Incentivo, mais conhecida por Lei Rouanet.

Criada em 1991, a lei estabeleceu mecanismos que possibilita empresas e cidadãos aplicarem uma parte do Imposto de Renda em ações culturais. Mas, se por um lado a lei estimulou uma indústria cultural que cresceu de mãos dadas com o meio empresarial, por outro fez com que toda a produção artística que não dialoga com o mercado ficasse excluída, sendo até hoje ameaçada pela falta de mecanismos estatais responsáveis por suprir os desafios da infraestrutura, da pesquisa e do acesso.

Em entrevista exclusiva ao The Brazilian Post, o cientista político e membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais, Manoel de Souza Neto, falou sobre as origens da concentração das verbas culturais no Brasil, sobre a relação entre sociedade civil e governo, Lei Rouanet e possíveis soluções para o setor, como os Pontos de Cultura – iniciativa que busca democratizar o acesso à cultura por meio do incentivo da produção comunitária. Confira abaixo:

O que estimulou e/ou ainda estimula a concentração das verbas de cultura no Brasil?

A Lei de Incentivo foi um instrumento criado com objetivo de prover produção e fruição cultural, mas foi rapidamente deturpada devido ao modelo neoliberal de Estado não interventor que se instalou no Brasil na década de 1990. Neste modelo o Estado lava as mãos e entrega ao mercado as decisões. A lei Rouanet é um instrumento de manutenção de poder e ferramenta de exclusão social. O modelo é excludente em si; esta é a própria função paradoxal das leis de incentivo que, ao incentivar a produção cultural, geram uma dicotomia entre cultura e mercado, favorecendo os campos econômicos e sociais privilegiados e agindo em detrimento das comunidades, etnias, artistas e culturas periféricas, justamente os que mais precisam.

As decisões são do mercado, o patrocinador; são sempre eles os maiores beneficiados e, graças ao sistema que só permite patrocínio de empresas com lucro presumido, somente grandes empresas são patrocinadoras; o restante vem do próprio governo. O mercado e o mundo publicitário assumem a forma de agentes intermediários do modelo, que de tão afunilado gerou uma moeda de troca ilegal, um cambio negro. Políticos, agências de publicidade, departamentos de marketing e captadores exigem comissões “extras” para liberarem recursos, tornando os fazedores de arte em pagadores de propina, criminalizando o artista, que acaba refém da “turma” instalada ao centro do poder.

A exclusão ocorre por via estrutural e linguística, regras que eliminam a ampla maioria por não deterem o conhecimento do campo cultural de mercado e de política, orçamentos, publicidade, serviços, por não terem como ocupar espaços privilegiados, por questões burocráticas, enfim, por não deterem redes de relações de poder. Se o ex-ministros da Cultura Gilberto Gil e Juca Ferreira tentaram apoiar um modelo de cultura em três dimensões – cidadã, econômica e simbólica -, a atual ministra Ana de Hollanda só fala em economia criativa e reforço das leis de direito autoral no sentido de dificultar o acesso. Os mesmos que não querem mudar a Lei de Incentivo também não querem mudar as regras da Lei de Direitos Autorais para uso na educação.

Como você avalia os 20 anos da Lei Rouanet e o que precisa ser mudado para que ela democratize o acesso à cultura?

Com o tempo a captação das leis se profissionalizou, democratizou em algum sentido a produção, mas em outro sentido ela descumpre a função de políticas públicas prevista na constituição, porque não garante o acesso, nem promove a diversidade cultural. Se por um lado a distribuição de recursos da Lei Rouanet já supera mais de 10 bilhões de reais desde a década de 1990, chegando na atualidade a mais de um bilhão de reais ao ano, de fato 95% dos patrocínios ainda vem das empresas do governo.

Muitos projetos importantes como preservação de museus, edição de livros, difusão de manifestações e atividades culturais foram apoiados, mas o saldo é negativo dada a concentração das verbas que geram ampliação das desigualdades sociais no território nacional. O problema se agrava com a questão da concentração de beneficiados por metro quadrado, já que os dados revelam que 80% das verbas ficam no eixo Rio-São Paulo. Célio Turino, ex-secretário do Ministério da Cultura nas gestões de Gil e Juca, vai além; repito aqui e faço das palavras dele as minhas: 3% do total dos proponentes de projetos culturais captam 50% dos patrocínios. Outros 20% de proponentes ficam com o restante dos recursos, sendo que quase 80% dos autores de propostas culturais a serem incentivadas nada captam. Uma concentração inacreditável, em que 3% significam menos de 100 pessoas, empresas ou instituições no país. Mesmo com o sucesso do cinema nacional, a produção gerada pela Lei de Incentivo não chega nem a 10% da população; e este dado é otimista, pois inclui um ou outro sucesso de bilheteria.

Quais medidas são exemplos bem sucedidos na tentativa de descentralizar os investimentos nessa área? Os Pontos de Cultura são uma dessas iniciativas?

Os Pontos de Cultura se tornaram um grande instrumento de descentralização de recursos, beneficiando mais de 2.000 pequenos equipamentos culturais direto nas comunidades. A própria gestão do Ministério da Cultura, com participação da sociedade civil, gerou o chamado emponderamento e governança através das esferas de participação, gerando pesos e contra pesos na fiscalização das políticas, através de colegiados e conselhos. Com isso não apenas ocorreu diálogo, mas também, através de conferências, conselhos, colegiados setoriais e encontros de culturas populares, mudanças nas relações entre sociedade civil e o governo, que passou de um ministério de poucos para um representante de toda a cultura brasileira. Mas isso somente até 2010.

No campo do orçamento, na última década, a criação do Fundo Nacional de Cultura, com fundos setoriais, gerou o estimulo para criação de fundos estaduais e municipais com objetivo de diminuir as distorções. O Sistema Nacional de Cultura em construção aproximou políticas públicas de cultura, desafogando as regiões ilhadas por visões arcaicas. Com o enfraquecimento do programa Pontos de Cultura, ocorreu um claro retrocesso, um rompimento de um projeto de governo.

Como a sociedade civil tem se organizado para estreitar o relacionamento com o governo nessa área?

O diálogo ocorreu em larga escala na gestão dos ex-ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, mas foi interrompido com a gestão de Ana de Hollanda. Nem o Conselho Nacional de Cultura (CNPC) consegue manter diálogo com a cúpula principal. Atualmente existe um clima de violência simbólica evidente no ar contra a sociedade civil. Durante da última década o Brasil pôde observar o avanço dos movimentos civis se organizaram fóruns, coletivos e outras organizações em todos os segmentos. A participação em colegiados, câmaras, conselhos, seminários e conferências mobilizou o Brasil ao redor do Ministério da Cultura. Infelizmente tudo isso está em risco porque existem outros tipos de mobilização de grupos de interesses.


(por Guilherme Reis para o Brazilian Post)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Primavera dos Museus traz eventos em todo Brasil em setembro.



Ibram/MinC divulga guia de programação de eventos que movimenta instituições de todo o País.

O público já pode ter acesso aos mais de 2.400 eventos que serão realizados em cerca de 800 museus espalhados por 364 municípios brasileiros. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) divulgou o guia da programação da 6ª Primavera dos Museus que acontece entre os dias 24 e 30 de setembro e terá como tema A Função Social dos Museus.

Entre os destaques da programação, o Museu Imperial, em Petropólis (RJ), com a Contação de Histórias voltado para deficientes auditivos e visuais no dia 25, das 14h30 às 16h30. O Sarau de premiação Mulheres Guerreiras 2012, no Museu da Favela, no Rio de Janeiro, em 28 de setembro, também é uma das atrações da programação. Além da visita temática ao acervo que revela as origens de algumas palavras, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no dia 28 de setembro.

Para ter acesso a todo o guia, clique aqui.

Além de atingir todos os estados brasileiros e mais o Distrito Federal, a edição desse ano conta pela primeira vez com uma participação estrangeira: o Museo Etnolóxico, de Ribadavia, na região da Galícia (Espanha) que promove ação educativa entre os dias 25 a 28 de setembro, das 10h às 20h.

Outra novidade da sexta edição é a parceria do Ibram com o Metrô do Rio de Janeiro. A partir do dia 1º de setembro quem for a um museu carioca com o cartão MetrôRio válido e carregado, terá 50% de desconto na entrada com mais um acompanhante. A partir do dia 23 de setembro, portanto, na semana do evento, a entrada será gratuita para o portador do cartão e mais um acompanhante. Além disso, o MetrôRio também vai indicar a visitação de 13 museus gratuitos próximos a estações.

Primavera dos Museus

Coordenada pelo Ibram, a Primavera dos Museus tem por objetivo chamar a atenção de museus e sociedade para o debate em torno de assuntos atuais por meio de atividades, como exposições, seminários, oficinas e palestras, etc.

O tema deste ano homenageia os 40 anos da Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, realizada em 1972. A partir da assinatura da declaração, os museus passaram a ser entendidos como instituições a serviço da sociedade com importante papel na formação da consciência das comunidades.

(Fonte: Site do Ibram/MinC)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Encontro Internacional "A curadoria e o colecionismo".

A curadoria e o colecionismo: da arte contemporânea na América Latina
Detalhe de  "To be Continued...(Latin American Puzzle)", 1998, de Regina Silveira (foto de Carlos Kipnis)

América Latina e Arte Contemporânea: Curadoria e Colecionismo é o tema de encontro que acontece no dia 5 de setembro (quarta-feira), às 17h, no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em paralelo à programação da 30ª Bienal de Arte de São Paulo.
Nele, especialistas brasileiros e estrangeiros discutirão várias questões ligadas à arte contemporânea latino-americana, tais como geopolítica, curadoria, mercado de arte, institucionalidade, circulações e deslocamentos, contextos e ações. A coordenação será de Martin Grossmann, diretor do IEA e curador-coordenador do Fórum Permanente.
O evento é uma realização do IEA (integra a metacuradoria Glocal), do Centro Cultural da Espanha em São Paulo  (CCE-SP) e do Fórum Permanente. Aberto apenas a convidados, o debate poderá ser assistido ao vivo pela web em transmissões em português e inglês.
Alguns dos especialistas estrangeiros que estarão presentes são Gabiel Perez-Barreiro (Fundación Cisneros), José Roca (Tate Gallery), Rafael Pereira (Colección C&FE), Hans Michael Herzon e Eugênio Valdez (ambos da Daros-Latinamerica).

Transmissão pela web (em português e inglês): em www.iea.usp.br/aovivo
Perguntas aos debatedores: pelo e-mail iearesponde@usp.br
Informações: sedini@usp.br

(Fonte: IEA/USP)
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